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Maternidade tardia

Maternidade Tardia: As Vantagens! Lembro-me no ano seguinte ao nascimento do meu filho, uma amiga exactamente da minha idade, ter sido avó! Conclusão: ou eu fui mãe muito tarde; ou ela foi avó muito cedo! As desvantagens e os riscos de deixar uma gravidez para uma idade mais avançada são sobejamente conhecidas, mas quais serão as vantagens? A maior vantagem de esperar para ter filhos, deve ser exactamente isso; ter tido tempo de crescer, amadurecer e viver a vida plenamente antes de ter filhos. Psicólogos afirmam que mães mais velhas têm mais serenidade, paciência e sabedoria no processo de educação dos filhos. Outra vantagem pode ser a estabilidade financeira que algumas pessoas mais velhas podem já auferir, em parte devido à menor necessidade de trabalhar longas horas, típico do início de construção de uma carreira profissional. Mas, como tudo na vida, podemos ler e pesquisar estudos que comprovam isto e aquilo, e no caso da maternidade parece que os estud...

Como dar sentido à Morte de uma avó

Como dar Sentido à Morte de Uma Avó! A vida é tão irónica. Presenteou uma amiga minha com o nascimento do seu segundo filho, na mesma semana que faleceu a sua avó. Como lidar simultaneamente com o luto da avó e o nascimento de um filho? Esta avó, como tantas, foi uma mãe, uma amiga, uma companheira e uma confidente. Era daquelas avós que cuidam dos netos com uma ternura e amor infindável, que têm um sorriso eterno e uma enorme dose de bom senso. Quem tem ou teve uma avó assim, lembra-se bem como ela nos defendia sempre perante os nossos pais, quando nos dava um dinheirinho extra sem termos que pedir, como tinha sempre uma sopinha e um bolinho quentinho pronto à nossa espera, como cuidava de nós quando adoecíamos e sabia contar histórias com a expressividade e mistério que só uma avó sabe transmitir. Voltando à minha amiga; como lidamos com o fim do prazer de termos a nossa avó perto? Com o fim de uma geração? É como se ela tivesse levado com ela uma parte da infância, da ado...

Os Sem-Abrigo: Antes de serem sem abrigo, são pessoas.

Os Sem-Abrigo: Antes de serem sem abrigo, são pessoas. A AMI define um sem abrigo toda a pessoa que não que não possui residência fixa, pernoita na rua, carros e prédios abandonados, estações de metro e de comboio e contentores. O meio em que vive um sem-abrigo é hostil com privação de relações de afecto e ameaças constantes à integridade física e psicológica. A tónica da sobrevivência absorve toda a atenção e rotina do individuo. Deixo-vos um excerto baseado na tese de mestrado de Ana Ferreira Martins: "Mulheres Sem Abrigo na Cidade de Lisboa" - Fevereiro de 2007 “Todos os seres humanos têm direitos e deveres. Encarar o fenómeno dos sem-abrigo como "coitados dos pobrezinhos" não ajuda ninguém a sair do ciclo reprodutivo da pobreza, "Filho(a) de sem abrigo será sem abrigo". A visão paternalista, de cima para baixo, de lidar com as questões da pobreza não promove a eliminação da mesma. A igualdade de oportunidades para todo(a)s exige o exerc...

Chucha

Uma situação caricata aconteceu hoje na minha rotina matinal….Qual não é o meu espanto quando ouço os soluços desesperados do meu filho, e me deparo com ele sentado na sanita lavado em lágrimas… Entre os soluços sonoros, lá consegui percebe r que a famosa amiga chucha tinha caído dentro da sanita…e estava num estado irreconhecível. Isto para um adulto pode parecer básico e pratico! Deita-se a chucha no lixo e pronto! E convencer a criança de que isto tem que ser feito? Pois… tivemos que negociar de tal modo a questão da chucha que logo de manhã tive que assistir a uma cerimonia "fúnebre" da chucha, liderada pelo meu filho. Fiquei a pensar nisto, e, realmente por muito ridículo que a história soe, num mundo de uma criança deitar no lixo a sua chucha, deve ser uma perda dolorosa que merece ser respeitada e assinalada. E no nosso universo adulto? Quantas perdas sofremos, sem sequer reconhecermos o seu impacto na nossa vida e comportamento? Muita coisa na vida tem valor simbóli...

Para Onde Foi o Amor? – Relacionamentos Virtuais

Para Onde Foi o Amor? – Relacionamentos Virtuais O consumismo e o avanço das tecnologias caracterizam e marcam a sociedade contemporânea. Os relacionamentos online ganham destaque e tornaram-se uma realidade comum e rotineira no nosso dia-a-dia. Será que os relacionamentos adoptaram as características típicas do resto da nossa vida: desejo de satisfação rápida das nossas necessidades; dificuldade de lidar com a frustração; individualismo, etc? E os relacionamentos? Será que perdemos a naturalidade e o mistério associado a conhecer uma pessoa? Será que os relacionamentos online são pautados pelo que as pessoas aparentam e “escolhem” ser e não pelo que são? Será que podemos afirmar que conhecemos realmente a pessoa com quem nos relacionamos? Será que o ecrã serve de escudo e nos permite protecção? Será... Há autores que defendem que os relacionamentos ciber perderam a magia e tornaram as relações humanas descartáveis e pautadas pela quantidade e não pela qualidad...

Luto da morte de um animal de estimação!

Luto da morte de um animal de estimação! " O que torna comovedora a dedicação do cão, é que ele a manifesta apenas com provas." Condessa Diane Fala-se muito no luto por morte de um ente querido, mas pouco se tem falado do luto pela morte de um animal de estimação. Existem pessoas que ainda acham ridículo alguém ficar totalmente devastado quando tem que decidir a eutanásia de um animal e lidar com a perda da sua presença e companhia. Lembro-me quando eu era mais nova e me morreu um cachorro lindo e meigo, e eu fiquei de tal modo que nem consegui ir trabalhar, alguém olhou para mim e me disse “mas era só um cão….” Um cão fica ao nosso lado quando ficamos em casa doentes e não larga os pés da nossa cama….um cão salta de alegria quando chegamos a casa do trabalho…um cão enrosca-se no nosso colo quando vemos televisão…um cão é, e será sempre o amigo mais fiel e incondicional que um ser humano pode ter. Sentirmos a perda quando esse cão nos deixa depois d...

O País das Histórias Perdidas “ – Para onde foi a fantasia?

“O País das Histórias Perdidas “ – Para onde foi a fantasia? “Era uma vez um menino chamado Leonel, que procurava entre os seus sonhos, um que o levasse, num instante, até ao futuro (…). Precisava sentir o futuro, e de saber que ventos esquisitos estragam a magia das crianças e parecem transformá-la num duende que atormenta tantas pessoas quando crescem. Depois de chegar ao futuro, Leonel abriu muitos os olhos assutado. Era grande o seu espanto. O futuro tinha-se transformado, para muitas pessoas crescidas, um país de histórias perdidas…Porque é que chegado ao futuro, a fantasia das crianças parece transformar-se numa folha mais ou menos branca, sem histórias por quem se enamorem? “ (Eduardo Sá em “Tudo o que o amor não é”). Será que ao crescermos nos esquecemos de sonhar? Ou será que não nos esquecemos, mas a vida nos verga e molda desfigurando irreconhecivelmente os nossos desejos e fantasias? Será que crescemos e nos transfomamos num “país de histórias perdidas”? Nos ...